quarta-feira, 9 de junho de 2010

MANTENHA A PORTA
FECHADA E TARAMELADA

segunda-feira, 7 de junho de 2010

rascunho II: sobre o amor

eu amo pela boca
não há outra forma de amar a não ser pela boca
entro pela cavidade bucal do ser amado e instalo-me
lá convivo com as comidas, dentes, língua, saliva, restos, palavras, ar, hálitos
(é, os hálitos...)
esse é o amor real, cru, profundo, essencial.

ocorre que em outra etapa também abocanho o ser amado

deixo-o na minha boca
sou sem papo, por isso o instalo

na minha boca.

se acabar o amor
regurgito.

rascunho

vou inserir algo muito bonito no meu coração
serei leve, pluma misteriosa, afável
piscarei delicadamente, em slow motion
doce doce doce
como fui algum outro dia
doce doce doce
como a pipoca de nescau
em alguma praça no rio.

apontamentos de uma segunda-feira. o trabalho vem depois...

fiz a lista de palavras e frases...
irrevogável
dilatação
apequenam (apequenar)
infrutífero
minareti
concepção medieval do tempo: absoluto, linear
tempo serial - tempo cancelado

o que afirma a desordem?

e agora corro atrás de um encaixe das imagens, do meu sentido, deslocadas dos textos que as compilei.
tratarei de resolver algum projeto?
copiáveis?
cora coralina lia dicionários, lenda? ele falou e eu acreditei, como em quase tudo, como na monogamia.
não entendia
a monogamia, como me disse ana, era regional!
uma em são paulo e outra em brasília.

tivesse um amor agora e não retomaria essa maçada.



segunda é o eterno nó.
proibo as segundas
não trabalho às segundas
recuso-me recuso-os às segundas.
me enovelo às segundas
sou uma merda às segundas.



tirei a palavra vagina de um poema de 2000, confesso que consegui um verso melhor, após 10 anos!
exclui do blog o poema confissões de uma buceta
estou ficando moralista, estranha, professora?

(amanhã excluo esses...)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

não quero ser tão diária e nem tão explícita.
acabo não resistindo.
temo banalizar-me e àqueles a minha volta.
ficarei caladinha e voltarei ao papel, meus cadernos, somente eles?
incomodada? na minha insônia criou-se outra: filmefobia de kiko goifman.
por que a levo adiante hoje, horas depois, sonhos depois? porque ainda não fui tomar um lanchinho com a gisa e o antonio, porque ainda não fomos à livraria, porque em algum momento deixarei esse assunto para outra hora propícia.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

nostálgica (ou sem assunto)

 um


desculpe-me, senhor. lembrou-me outro. a sua gengiva... como a de m. os lábios arcados. os dentes. o senhor fuma, não é? é cinza como m. devem ter a mesma idade. não, o senhor parece-me mais velho. o senhor me desculpe. tenho idade para ser sua filha, mas estava pensando em ser sua amante. estou nostálgica. e não é necessariamente a saudade.
posso olhá-lo mais um pouco? a próxima estação é a minha.



um outro

mora num apartamento do copan
e tem gato
deve ter morado no rio
deve ter vindo do recife
uma vó morta em teresópolis
(eu não tenho certeza das cidades)
casou-se duas vezes
da última ficou sem os eletrodomésticos
um homem que mora no centro e tem gato
não quer companhia
(é) improvável.

(não sei por que lembrei-me desse homem agora)