segunda-feira, 11 de julho de 2011

para eles

quando meu pai morreu (4 de dezembro de 2010) nas semanas seguintes perdi três guarda-chuvas.
pensei que pudesse escrever uma crônica.
mas quando um pai morre não vira tema
a palavra endurece
os guarda-chuvas se perdem
o silêncio resolve
acho que resolve.
  
(para Vinicius que hoje - 28/06 - também perdeu seu pai)    

segunda-feira, 27 de junho de 2011

o amor veio assim:
num vento bom
se acomodou na minha pele
nos meus olhos
afaga meu cabelo.


o amor é assim:
inimaginavelmente bom
sereno
doce.


e eu aceitei o amor assim:
aninhei-me no seu peito
e por lá fiquei
e por lá estou.



                                                  (para Humberto)

terça-feira, 14 de junho de 2011


Do caderno azul:
23/05
acocorada guardou um segredo
com o segredo
tampou os vãos da casa.

29/05
O amor piano
silencioso e segredoso
sem objeto
nada amou
só fez reservas imensas de amor
No instante da sorte
não saberá distinguir
entre o amor e o sexo
                   (não saberá)  

Vai lavar cuecas
Achando que ama
E só queria mesmo
Meter-se
noites e noites
dias e dias
tardes e tardes
Até ferir-se
O amor         piano
Continua reservado
para o lobo mau.

(ouvindo o cd do Gero Camilo, presente do H.)



13.06.
vestiu-se:
peixe
sereia
de desafetos
de camadas
e de escamas
calçou:
sapatos
rabo
esporas
cauda.
  
implantou:         
antenas
garras
unhas
crina
chifres.

vestiu-se muito.

abriu: 
um vinho
uma cachaça
água.

(Amarílis
Uma flor
Um vaso sobre a mesa)

Vestiu-se para não se escravizar com o amor.             

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Algum motivo para inquietação ou jogando no lixo as raspas da batata doce ou...


Será que o rato vem
assim afoito
bisbilhotar aquilo que não comi
e estragou
e joguei
lambuzar-se com os restos de alguns dias
Ele vem?
um rato de desenho animado
quase simpático e feliz?

Demovo meus sonhos
das esperanças do rato
pois ele vem
sem a minha higiene
mas com cerimônias de bicho sorrateiro
ele vem
pertubar o que está calado
meu lixo diário e adormecido
ruir a noite
provocar um grande tombo
para que no medo
ele se agigante,
no meu pavor
misturado de estranha espera,
sua sombra tomará a parede e
o lixo exíguo será um banquete

e eu contrariada com aquele rato
passo a noite em claro desconforto
sabendo que foi a imagem permitida
de algum desajuste do sono.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

vontade de escrever porque li o blog da dri
vontade mesmo de ter um jardim, mas também sei o quanto mataria aos poucos todas as plantas

sem culpas agora.
agora não é hora.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

anteriores...


O mito do eterno retorno
Comeu
Comeu tanto.


Passou mal, mas comeu
Tanto
Comeu tanto, mas passou mal

passou mal e comeu tanto
tanto tanto passou...

                                       out. 2004



vejam: todas essas afetações
vejam: todas essas afetações
vejam: todas essas afetações
risquem
as afetações
diluam
as afetações
calem
as afetações
vejam: toda a simplificação.

um ponto
um ponto
um ponto
à espera de um sopro.

18.01.2009




postulo
no nível deste braço
na extremidade deste braço
um assunto
um princípio de conhecimento
afirmo uma inteligência
e na outra extremidade
uma negligência
o corpo
ele pode exemplificar tudo.
todas as extensões e distensões.

26 de fev. 2009, começou com a palavra postulo e pensando em braços.



título provisório: meu livro de Karl Blossfeldet 

um maravilhamento:
se não há amor
também não sinto seus desdobramentos
maravilhas do ser sozinho
maravilha depender apenas do dia
Impediram-me da loucura.
As dores
tão suportáveis
que nulas.
Um maravilhamento
o mundo se abre
em raízes
em pétalas
em pólen
em talo
em caule
em articulações
para a vida
e nisso entendemos também a sobrevivência.
Um fundo infinito
uma haste
e um caminho
uma haste
e uma construção
uma folha
que não é só ornamento
mas em si
a sua solução de vida
maravilhas do ser sozinho:
as plantas no papel
isoladas
valorizadas
aumentadas
e eu a vê-las...
sem amor
sem desconforto
sem loucura
sem espera.
               23.09.2008

***ir para os poemas de amor
o caminho:

eu te amo por todos os dias da vida , eu amo por todos os momentos que não posso amar e amá-lo e amá-lo e amá-lo. agora me escondo nessas palavras , quanto mais me demonstro e demonstro isso: essas palavras pisadas, não minhas, não entendidas, essas palavras...
essas trobas, essas trobas
a paródia- o amor

22/08/2006 (sobre o projeto do caminho dos poemas de amor)


Enquanto penso em dar-lhe
o meu magro seio
as questões rodopiam
num mundo
sem a minha coletividade
sem meu temperamento
E há a necessidade
um indivíduo que
arrote
a pequena fome
Um canto que destoe
da inadequação

Enquanto penso
insinuações sensuais
há uma corrupção no tempo
na ascensão
na queda
e eu aqui a divagar
a amar
e amar
mar
O meu orgasmo não é necessário
o meu eu eu eu
é descartável.

21/11/2005


Sol

um dedo-reto
aponta
aquilo que não tem horizonte
aquilo que nem a linha disfarça


dedo-reto
quase sem referência no espaço

o dedo,
cego.

sufocado
por um monstruoso
e delirante Sol

Entorpece a linha
o dedo
Exclui qualquer outra tentativa
de paisagem

Ele,
unívoco
um imenso umbigo.
 
1° semestre de 2008





A coma

Placas amorfas
Desgrudando-se de sua pela
Pequenina é morte
Mais forte é a sorte
De permanecer aqui


1999 (para minha avó)









sexta-feira, 6 de agosto de 2010

transitivos:
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