segunda-feira, 7 de junho de 2010

rascunho

vou inserir algo muito bonito no meu coração
serei leve, pluma misteriosa, afável
piscarei delicadamente, em slow motion
doce doce doce
como fui algum outro dia
doce doce doce
como a pipoca de nescau
em alguma praça no rio.

apontamentos de uma segunda-feira. o trabalho vem depois...

fiz a lista de palavras e frases...
irrevogável
dilatação
apequenam (apequenar)
infrutífero
minareti
concepção medieval do tempo: absoluto, linear
tempo serial - tempo cancelado

o que afirma a desordem?

e agora corro atrás de um encaixe das imagens, do meu sentido, deslocadas dos textos que as compilei.
tratarei de resolver algum projeto?
copiáveis?
cora coralina lia dicionários, lenda? ele falou e eu acreditei, como em quase tudo, como na monogamia.
não entendia
a monogamia, como me disse ana, era regional!
uma em são paulo e outra em brasília.

tivesse um amor agora e não retomaria essa maçada.



segunda é o eterno nó.
proibo as segundas
não trabalho às segundas
recuso-me recuso-os às segundas.
me enovelo às segundas
sou uma merda às segundas.



tirei a palavra vagina de um poema de 2000, confesso que consegui um verso melhor, após 10 anos!
exclui do blog o poema confissões de uma buceta
estou ficando moralista, estranha, professora?

(amanhã excluo esses...)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

não quero ser tão diária e nem tão explícita.
acabo não resistindo.
temo banalizar-me e àqueles a minha volta.
ficarei caladinha e voltarei ao papel, meus cadernos, somente eles?
incomodada? na minha insônia criou-se outra: filmefobia de kiko goifman.
por que a levo adiante hoje, horas depois, sonhos depois? porque ainda não fui tomar um lanchinho com a gisa e o antonio, porque ainda não fomos à livraria, porque em algum momento deixarei esse assunto para outra hora propícia.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

nostálgica (ou sem assunto)

 um


desculpe-me, senhor. lembrou-me outro. a sua gengiva... como a de m. os lábios arcados. os dentes. o senhor fuma, não é? é cinza como m. devem ter a mesma idade. não, o senhor parece-me mais velho. o senhor me desculpe. tenho idade para ser sua filha, mas estava pensando em ser sua amante. estou nostálgica. e não é necessariamente a saudade.
posso olhá-lo mais um pouco? a próxima estação é a minha.



um outro

mora num apartamento do copan
e tem gato
deve ter morado no rio
deve ter vindo do recife
uma vó morta em teresópolis
(eu não tenho certeza das cidades)
casou-se duas vezes
da última ficou sem os eletrodomésticos
um homem que mora no centro e tem gato
não quer companhia
(é) improvável.

(não sei por que lembrei-me desse homem agora)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

muito difícil

1.
lidar todos os dias com espanto e com uma estagnação
puxar-me todo o momento do medo, da letargia
custo a entender esse terreno que agora estou
terreno sem fuga
acomodado assentamento do dia
e sei que isso ainda não é o equilíbrio
porque a inadequação existe, disfarçada
sorrateira

2.
vou afirmar que deus não existe?
quando ligo o rádio ouço:
carolina, carol, carol, carolina bela
ela mora no meu peito...

(interpretada por claudete soares)
senti-me amada por alguém
pode ser a sorte do meu nome
mas deixe-me pensando mentiras

e por hora não quero mais desfazer de mim

3.
estou com uma vontade imensa de me jogar na cama e chorar
mas me sentirei tão vagabunda
tão preguiçosa
tão fútil
tão banal
a estranheza só aumentará
deve ser a solidão
que planta essas incoerências na gente

4.
o duplo:
o outro hoje foi mais forte
acordou-me tarde, após às 9h
sentiu-me triste
o único intervalo:
selecionei os poemas para dri
fui para cama
dormi
ou acho que dormi
chorei antes
acordei e me dei capeletti
faz frio
o duplo foi embora
(acho)


agora posso trabalhar, após 9 horas...

domingo, 30 de maio de 2010

escritos 30/05/2010, na praça, no supermercado, na cozinha, no quarto...passíveis de mudanças, de censuras, exclusões

vamos costurar colchões...
ainda eu conheci
um colchão de palha
da casa de minha avó
no quarto do meio
também:

uma prateleira de livros

um baú cheio de papéis

uma máquina de crochê ou era tricô
(minha avó não a usava)
gavetas
(eram nossos escritórios, casas das susies)
sol de poeira pelas frestas da imensa janela
na casa da minha avó tinha ela
rangendo as tábuas do corredor dos quartos
tenho grudadas na pele tantas memórias delas
da casa
e da minha avó.

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profícuo e insosso.

qual deles beber?


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Quero poemas curtos
nada de epopeias
(telegramas
a longas cartas virtuais)
sintético, seletivo, racional
sequinho.

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A rua me dá versos
a casa os apaga

somos todos oblíquos

declinados

declinamos.

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faço as letras rodarem
aquelas sobrepostas
em
cadernos
antigos
- sobrepostos -
de
poeiras
- sobrepostas -
numa cesta
(que não está sobreposta)

quero a roda
doce brincadeira
levo-as para cirandar.
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titia, a mão!
titia, o braço!
tita, o cabelinho!
Nana dorme mexendo na minha mão.
Lala dorme acariciando o meu braço.
e o Pepeu até hoje, aos 10 anos, pede uma mecha de cabelo para ele segurar e enrolá-la.
assim eles dormem
assim os amo de um amor absurdo
incansável

preocupado

profundo

fundo

fundo.
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a população de meia-idade masculina multiplicou-se?
é uma perseguição?
a minha memória não me traz felicidade
vontades
deixa-me boiando
numa água densa, parada
boio na inércia
boio num quase arrependimento
numa vergonha de mim mesma

não boio no amor
nem na sua ausência
não!

é tudo estranhamente incômodo
causa-me uma secura
e parece que só esses senhores
me veem e eu os vejo
e acabo os desejando
e fujo!

não quero! não quero!
quero não ter memórias...
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momentos depois:

tenho memórias
reminiscências açoitam-me
pela manhã
no meio do dia
no meio do sonho
(hoje sonhei que namorava o Alceu Valença e alguém, muito inconveniente, nos atrapalhou)

conservo um domingo
o gosto amargo do seu mamilo
a gota do seu suor que caiu no meu olho
feito um colírio
(pena que me deixou um tanto cega)
resquícios
não me fazem feliz
nem desejosa.

açoitam-me.

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estou tentando entender o grau dessa maldade
a qual grau pertence?
o gosto dessa saudade?
também não a classifico
uso essas palavras
porque sou uma pobre desprovida de vocabulário
faltam-me outras e novas palavras
não é amor
não é amor

isso está escondido
sob os tacos do quarto
sob o peso da cama
sob o meu magro corpo
sob o apartamento de cima
sob o telhado e a caixa d’água do prédio
sob a gravidade da Terra.
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esperando Ana

como você virá já no final do próximo mês

posso ouvir cake sem chorar

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se não me comprometer com a casa
limpar seus vários ângulos
desaninhar aranhas
remover migalhas e fios de cabelo
se nada faço
as formigas virão
(assim lembro-me de saramandaia
só depois descobri macondo)

as formigas virão
não posso me desabitar.

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(lendo alguns homens do anos 70...)


aliciei patrícia. era maior de idade, mas era santa
amaciei patrícia
lavei sua tripas e fibras
eram novas e resistentes
fornicamos
a enchia de malícia e alguns bons tapas, seguidos de lambidas
era para o seu bem e para que eu fosse um infame

(e eu era, sim, um torpe

ou um solitário)

tangi seu lombo
extorqui sua vida
amarrei-me na sua língua

eu amei patrícia.
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